Tudo começou quando os meus pais compraram uma casa e a restauraram e me deram o sotão por mminha conta, apartir dai tudo foi diferente...
Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
Inicio de tudo...

Aquilo estava longe de ser um projecto simples e fácil... Eu vi logo isso mal comecei a subir as escadas, eram de cimento, mas tinham tanto verdete que metiam nojo, quando rodei as chaves da porta lembrei-me que aquilo ali, aquele sótão, era meu e só meu, os meus pais tinham-mo dado e obviamente que eu não o recusara... A minha ideia era arranja-lo e ir para lá viver, ia ser a mesma coisa que ser independente, porta exterior, cozinha fora do sótão, mas independente, e saída para a garagem e depois desta para o exterior da casa... Eu ia tornar-me senhora do meu nariz!!!

Mas as coisas por muito fáceis que nós as desenhemos, acabam sempre por nos trocar as voltas, o sótão era uma desgraça, caixas espalhadas, portas empenadas, lixo espalhado pelo chão, teias de aranha, e um tecto de madeira cheio de humidade, para não falar das loiças da casa-de-banho, as aranhas que habitavam aquele sótão antes de mim, já tinham ocupado os boieiros todos, e aquele verde musgo dava um aspecto mais nojento á situação, quis sentar-me mas a verdade é que não encontrei onde. Tinha que estabelecer um plano, mas nem sabia por onde começar... Aquilo ia ser mais difícil do que estava á espera e se estivesse sozinha iria demorar décadas...Então levantei o nariz, prendi o cabelo e peguei numa caixa, afinal tinha que começar por algum lado....

 


música: Somebody Help Me

publicado por Carlota às 16:01
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Vitor...

Nem sei se existem palavras para descrever a cara do meu primo quando entrou no sótão, foi uma mistura entre o arregalar os olhos numa expressão de assustado e um brilho de quem está disposto a arriscar num trabalho ali.

Quando eu lhe contei a minha ideia de remodelar aquilo para criar uma habitação para mim, ele acrescentou logo: " Não sejas tola, vamos fazer aqui uma espécie de esconderijo para nós... vivíamos aqui nas ferias e assim eu aos fins-de-semana."

Foi dai que surgiu a ideia de criar uma habitação colectiva.

Ele nesse campo foi mais corajoso que eu, pegou logo numa data de tralha e começou a organizar as coisas, pegou numa folha de papel e organizou as coisas estabeleceu medidas de métodos, nesse dia começamos a dar forma ao nosso trabalho...

 


música: Untitled

publicado por Carlota às 15:59
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Desabafo no presente...

Vendo-os ali a dormir, naquele sono tão calmo um sentimento forte e perturbador começa a incomodar-me como se a vida que vivemos hoje, não fosse vir a ser mesma que vamos viver amanha, os meus sentimentos pelo Luciano afinal não estão enterrados, estão aqui e hoje, mas não são como dantes, porque até o amor mais forte morre um dia…


música: Wild Horses

publicado por Carlota às 15:56
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A Verónica...

A Verónica torceu o nariz quando viu o estado do sótão, parecia uma snobe perante o cenário de confusão, o mais irónico era que ela sempre estivera longe de ser snobe, ela era hippy, e como tal um espírito livre, longe de se preocupar com os bens materiais, mas a verdade era que aquela confusão a estava a assustar e a impressiona-la.

- Parece difícil, não é? – Perguntou o Vítor subindo as escadas.

- Vocês têm a certeza que conseguimos fazer isto? – Perguntou a Verónica, a sua voz estava calma.

- Tenho, os sonhos tem que ser adquiridos pelo nosso esforço… - Acrescentei.

- E por onde começamos? – Perguntou a Verónica. Desta vez ela já não estava tão assustada.

A pergunta dela surtiu um efeito marcante, ficamos ali entre as caixas a olharmo-nos nos olhos, foi como se estivéssemos a transmitir confiança num só olhar.

 

Alguns meses depois as paredes ganharam aspecto e a casa alguma forma, foi como se as atitudes tivessem sortido efeito. Caixa a caixa, fomos levando tudo para o lixo, depois de muito suor só o esqueleto das paredes estava em pé, mas ainda faltava fazer muita coisa…

 


música: Perfect memory

publicado por Carlota às 15:49
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Filosofando...

Acabamos, e as ultimas ideias tido á pressão do momento deram formação á habitação que temos hoje, cada um contribuiu com o que podia, mas o melhor foi a disputa pelas camas antes de pintarmos as paredes, boas recordações que nem o melhor filosofo usando todas as suas teses e teorias pode explicar, foram momentos inesquecíveis, aqueles que nós os cinco passamos… E aconteça o que acontecer, ninguém nos vai tirar esses momentos…


música: Dreams

publicado por Carlota às 15:48
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Memórias...

Um a um, pouco a pouco, ajudamo-nos uns aos outros e criamos a nossa casa, e podemos dizer que aquilo é nosso, pois nasceu do nosso suor e da nossa imaginação. Nós criamos o nosso pequeno império, colorimos aquilo do mesmo modo que demos cor á nossa vida…

 E lá estávamos nós os cinco, cada um com o seu pincel e o seu balde de tinta e também o seu pequeno espaço… lembro-me como se fosse hoje:

“ – O teu cor-de-rosa está a aproximar-se muito do meu verde. Nem penses que me vais roubar o meu espaço… Um metro e meio de parede é muito pouco para um espírito tão aberto como o meu… – Reclamou o meu primo.

  - Espírito aberto? – Perguntou o Dinis. – Inventares motores para bicicletas não é suficiente para te considerares um espírito aberto…

   - Ele sente-se um génio!!! – Gozou a Verónica rindo, o meu primo não deixou de lhe dar um empurrão…”

Não sei como acabou aquela conversa, só sei que acabamos todos pintados de várias cores


música: Spitfire

publicado por Carlota às 15:42
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O Simples começar...

 Sou céptica, acredito em muita pouca coisa, sei que a morte é um das garantias da vida, da qual inevitavelmente nunca poderemos fugir…

Distingo o bem do mal, mas seria hipócrita se não assumisse, pelo menos perante mim mesma que a morte da Lara me aliviou, foi como se todos os fantasmas do meu passado tivessem encontrado a redenção que precisavam…

Para o Luciano foi diferente, apesar de trágico sei que ele também está aliviado, mas ao mesmo tempo triste, apesar de ter sugerido o aborto, ele mudou a mentalidade e agora já sentia carinho por aquele feto que a Lara esperava…

Ele não só perdeu o filho que queria matar, perdeu algo que era parte de si…


música: Full Of Garce

publicado por Carlota às 15:29
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